Fúcsia III
Síntese de todas as perdas
Naquele final de semana sabia que ia perder o namorado. Quando ele entrou naquele carro vermelho ela já sabia. Colocou seu rosto entre suas mãos, mirou-lhe os olhos castanhos e proclamou que o amava. Tarde demais.
Na segunda-feira chamaram-na no departamento de pessoal, ao entrar naquela sala de paredes acinzentadas sentiu o estômago congelar e a notícia foi dada da maneira mais fria possível. Perdeu o emprego.
Arrasada não conseguia nem sentir o chão. Perdeu o ônibus porque não conseguiu esticar o braço e acenar. Já em casa, deitou-se no sofá e ligou a televisão. Perdeu 8 noites, 7 dias, várias ligações telefônicas, 5 quilos e muitos, muitos litros de choro.
Resolveu então ir a um shopping, ver pessoas, comprar alguma coisa, beber um drink no bistrô ao lado, talvez perder algum dinheiro no bingo...
Colocou um vestido azul, maquiou-se em tons rosados, não queria chamar atenção, apenas esconder as olheiras e sua palidez.Chamou um táxi. Já tinha certeza que perderia o ônibus.
Chegando lá aos primeiros 10 passos sentiu-se tonta, não deu muita bola, estava há muitos dias se alimentando mal, mais 10 passos e teve que sentar. Estava completamente bege. O banco ficava em frente a uma loja com uma iluminação forte alaranjada que a deixou mais tonta. Sentiu então uma pontada na altura do ventre.
Notou que as pessoas começaram a observá-la, olhou-se e percebeu a mancha fúcsia em seu vestido. Populares correram e chamaram uma ambulância. Ela não conseguiu reagir a nada, a cabeça pesada, a língua travada, desacordou.
No hospital acordou com o branco das luzes em uma sala de cirurgias. Ouviu de um enfermeiro “lamentamos muito senhora, seu bebê pereceu”. Não conseguiu responder nada, perguntar nada. Havia perdido todos os sentidos, sentia-se inerte, praticamente transparente.
Na confusão perdeu o celular, sua memória também se perdera por alguns momentos, não lembrava o telefone de nenhum cristão para lhe ajudar, então resolveu sair do hospital caminhando, sozinha, sem avisar ninguém, rua afora em uma noite muito negra. Não tinha medo, já não tinha mais medos, perdera-os. Já não era mais dor, nem sofrimento. Havia um sentimento combustível para seguir adiante, algo inexplicável para alguns, ilusório para outros e concreto para ela: a esperança que estava impressa no verde de seus olhos.
Naquele final de semana sabia que ia perder o namorado. Quando ele entrou naquele carro vermelho ela já sabia. Colocou seu rosto entre suas mãos, mirou-lhe os olhos castanhos e proclamou que o amava. Tarde demais.
Na segunda-feira chamaram-na no departamento de pessoal, ao entrar naquela sala de paredes acinzentadas sentiu o estômago congelar e a notícia foi dada da maneira mais fria possível. Perdeu o emprego.
Arrasada não conseguia nem sentir o chão. Perdeu o ônibus porque não conseguiu esticar o braço e acenar. Já em casa, deitou-se no sofá e ligou a televisão. Perdeu 8 noites, 7 dias, várias ligações telefônicas, 5 quilos e muitos, muitos litros de choro.
Resolveu então ir a um shopping, ver pessoas, comprar alguma coisa, beber um drink no bistrô ao lado, talvez perder algum dinheiro no bingo...
Colocou um vestido azul, maquiou-se em tons rosados, não queria chamar atenção, apenas esconder as olheiras e sua palidez.Chamou um táxi. Já tinha certeza que perderia o ônibus.
Chegando lá aos primeiros 10 passos sentiu-se tonta, não deu muita bola, estava há muitos dias se alimentando mal, mais 10 passos e teve que sentar. Estava completamente bege. O banco ficava em frente a uma loja com uma iluminação forte alaranjada que a deixou mais tonta. Sentiu então uma pontada na altura do ventre.
Notou que as pessoas começaram a observá-la, olhou-se e percebeu a mancha fúcsia em seu vestido. Populares correram e chamaram uma ambulância. Ela não conseguiu reagir a nada, a cabeça pesada, a língua travada, desacordou.
No hospital acordou com o branco das luzes em uma sala de cirurgias. Ouviu de um enfermeiro “lamentamos muito senhora, seu bebê pereceu”. Não conseguiu responder nada, perguntar nada. Havia perdido todos os sentidos, sentia-se inerte, praticamente transparente.
Na confusão perdeu o celular, sua memória também se perdera por alguns momentos, não lembrava o telefone de nenhum cristão para lhe ajudar, então resolveu sair do hospital caminhando, sozinha, sem avisar ninguém, rua afora em uma noite muito negra. Não tinha medo, já não tinha mais medos, perdera-os. Já não era mais dor, nem sofrimento. Havia um sentimento combustível para seguir adiante, algo inexplicável para alguns, ilusório para outros e concreto para ela: a esperança que estava impressa no verde de seus olhos.
